FANDOM


"As Famílias poderão ser eternas", diz uma conhecida música na Igreja. Este conceito ganha ainda mais força quando se põe na mente que a família pode ser eterna. E eu já cansei de ouvir perguntas como a fatídica "Será que, depois que eu morrer, eu vou poder viver com minha família para sempre?", quase sempre seguida de uma resposta iniciada com um "Eu acho". E mais, já vi muitas famílias em ruínas (ou quase lá) que poderiam ser salvas se tivessem ouvido este ensinamento meses antes. Este artigo é para aqueles que querem ver a fundo este ensinamento que pode salvar famílias e renovar a fé daqueles que são casados ou irão se casar.

Este artigo trata de um outro assunto, bem mais polêmico do que o acima, mas intimamente ligado: a Ordem Patriarcal do Casamento, conhecida como Casamento Plural ou, simplesmente, Poligamia. Esta parte do artigo tem por fim esclarecer este assunto que causa confusão em muitos, repulsa em alguns curiosidade em outros. Como os dois assuntos são extensos, decidi dividir o artigo em dois, para facilitar para todos.

Como um último lembrete, o artigo todo terá, como texto base, Doutrina e Convênios 132. Recomendo que leiam antes de ler o artigo.

O Novo e Eterno Convênio do Casamento Editar

Já ouviu esta expressão? Pois bem, vamos falar muito dela hoje. Existe uma certa confusão na Igreja quanto ao uso desta expressão, mas ela quer dizer isso mesmo: o Casamento (ver DeC 131:1-4). Apesar de o Evangelho ser também chamado de Novo e Eterno Convênio, o casamento é referido desta forma com mais frequência.

O Senhor deu um mandamento a Adão e Eva que continua válido até hoje: crescei e multiplicai. Para tanto, ele instituiu que o homem tomasse uma única mulher em casamento, exceto quando ele ordenasse o contrário (veja mais abaixo). Sendo dignos, todos os homens e mulheres terão o direito de viver em família e ter um relacionamento conjugal sob a bênção de Deus.

O Casamento é uma ordenança. Isso é um fato, e ele é conhecido na Igreja como Selamento. Na verdade, o casamento não tem validade eterna sem esta ordenança, e mesmo ela precisa ser selada pelo Santo Espírito da promessa. Complicou? É bem fácil descomplicar: o Santo Espírito da Promessa é o Espírito Santo. Ter algo selado por este membro da Trindade é ter algo aprovado pelo Senhor. Para tanto, basta a pessoa que recebe a ordenança (e, claro, a que a executa) fazerem-no em retidão, e honrar os convênios feitos por toda a sua vida. Assim, o Senhor aprova a ordenança e ela se torna eternamente válida. E, acredite, não é tão difícil assim.

O poder selador, aquele que é usado para executar uma ordenança superior, por assim dizer, como o Selamento, provém do próprio Deus e Seu Profeta o retém, delegando-o apenas a alguns oficiantes no Templo. Para que um Selamento tenha validade, ele precisa ser feito por estes homens que possuem a devida autoridade. Assim sendo, o Selamento tem validade eterna, desde que seja honrado. Além do Selamento, qualquer coisa executada pelo poder selador tem validade eterna - inclusive bênçãos e condenações (no caso, quando o Selamento ou outra ordenança é cancelada)."Mas e o casamento civil?", alguém pergunta. A resposta é simples: ele não é válido depois desta vida, apesar de ser necessário para que se cumpra a lei do país (que é um mandamento, ver RF 11) e para que o Selamento no Templo seja aprovado.

Algumas pessoas não têm a oportunidade de se casar. Eles são atraentes fisica, moral, mental e intelectualmente, mas não se casam. Para tais pessoas, fica um consolo do presidente Spencer W. Kimball: permaneçam dignos, e o Senhor proverá sua companhia eterna, no devido tempo. Para os outros, o conselho fica em DeC 132:16 e em Mateus 22:23-33. O Senhor, quando contendia com os saduceus, enfrentou uma pergunta difícil sobre ressurreição e casamento. Os saduceus apresentaram uma situação sobre a lei do Levirato, que dizia que uma mulher, tendo se casado e não tendo tido filhos com seu primeiro marido, podia coabitar com o irmão deste e os filhos deles seriam considerados como sendo do primeiro marido. Bem, a pobre mulher coabitou com os seis irmãos do cara e nada de filhos. Então, ela morreu. Os saduceus perguntaram, então, de quem ela seria na ressurreição. O Senhor respondeu: "Na ressurreição não se casam nem são dados em casamento, mas são anjos no céu", querendo dizer que o casamento, se não foi feito em vida, não pode ser feito depois da ressurreição (dado que a pessoa em questão tinha todas as condições para tal). O Salvador respondeu de acordo com o conhecimento dos saduceus que, além de saberem muito pouco, não acreditavam em ressurreição. Então, ele esclareceu: depois de morta, uma pessoa não pode se casar, sendo que teve a chance aqui.

Bem, existem aqueles que não querem se casar. Isso é triste, mas tão real quanto a luz do Sol. Para estes, o Senhor dá um alerta. No versículo 17 de DeC 137, o Senhor descreve a condição daqueles que são salvos no reino celestial como solteiros: não podem crescer, permanecem anjos para sempre, destinados a servir aqueles que se tornaram deuses e são merecedores de um peso muito maior de glória. O versículo é tão taxativo que chega a dar a impressão de ser uma espécie de condenação. Mais à frente, um outro comentário: a casa de Deus é uma casa de Ordem. Aquele que não for casado pela devida autoridade não poderá "passar pelos anjos e pelos deuses designados para ali estar" - em outras palavras, não podem receber sua exaltação. E quando o Senhor diz não, é não mesmo.

O casamento é uma coisa maravilhosa, e o Senhor diz, nos versículos 19-22, que aquele que se casa pela devida autoridade e honra seu convênio, perseverando em todas as coisas, receberá sua exaltação. No entanto, as pessoas lêem o versículo 26 e ficam meio confusas. O texto diz, em suma, que a menos que o indivíduo não negue o Espírito Santo (veja O Plano de Salvação - Avançado) ou cometa assassinato de uma pessoa inocente, ele será exaltado, apesar de seus pecados. Quero deixar claro que o casamento não assegura nada, e que as bênçãos dependem da fidelidade. O versículo refere-se àqueles que são penitentes, que se arrependem - a estes será concedida a exaltação, após o seu sincero arrependimento. Por fim, o Senhor menciona que, quando o casamento é selado pelo Santo Espírito da Promessa, ele assegura o chamado e eleição do casal, ou seja, assegura a exaltação deles, desde que sejam fiéis aos convênios que fizeram. Novamente digo, para que não haja confusão: as bênçãos dependem unicamente da obediência.

As coisas escritas acima podem ser um pouco leves para quem lê, mas eu mesmo conheci muitas pessoas que teriam suas vidas conjugais salvas se tivessem ouvido isso alguns meses antes de se divorciarem. Conheço pessoas, em contrapartida, que superam problemas graves em seu casamento e em sua família (uma vez que os filhos de um casal selado já nasce no convênio dos pais, sendo selado para a eternidade a eles e tendo o direito de viver em família para sempre) devido a este conhecimento. O casamento é uma das maiores bênçãos que podemos receber nesta vida, e certamente deve ser o obejetivo de todos os solteiros. É uma pena que nem todos pensam assim, se pensassem, a organização do MAS não existiria!

A Ordem Patriarcal do CasamentoEditar

Ah, este é um assunto polêmico, e a dose de polêmica que este aqui causa é gigantesca. Existem pessoas na Igreja que negam que esta doutrina tenha sido praticada ou mesmo que seja verdadeira; existe gente que até perde o testemunho da Igreja e de Joseph Smith por causa dela. Sim! Estamos falando de Poligamia!

Calma, calma, não me matem. Ainda. Primeiramente, vamos ver o que é essa doutrina.

Antes de mais nada, o casamento plural sempre foi abominado pelo Senhor, salvo quando ele ordenava ao contrário. Isso aconteceu algumas vezes durante a história, principalmente durante a época dos velhos profetas. Daniel, por exemplo (o mesmo que adulterou com Bateseba) tinha várias esposas. Esse é só um exemplo. Existem muitos relatos nas escrituras onde isso acontece entre o povo do Senhor e Deus nem se incomodava muito (incl ref). Isso por si só prova que o casamento plural, quando aprovado pelo Senhor, pode existir entre o povo de Deus.

Mas a coisa não era um oba-oba. O casamento plural não era para qualquer pessoa, e essa pessoa não podia sair por aí "pegando" quem quisesse. As mulheres com quem determinado homem se casava tinham que ser "dadas". Os profetas dos últimos dias dizem que isso significa que esses homens têm que ser escolhidos para este convênio, e que o Senhor deveria aprovar todo e qualquer casamento, "dando" a mão daquela mulher para aquele homem.